Capítulo 1 - Mudanças de vida

Joana estava conseguindo levar a vida bem com a filha, elas não tinham muito conforto, mas estavam conseguindo pagar o aluguel. Raquel era uma menina tranquila, desde nova sempre ajudou a mãe no sustento da casa. As duas tinham um relacionamento muito bom, mesmo com algumas brigas por causa do jeito rígido de Joana.
Raquel queria muito melhorar a vida delas e pensava em tentar uma bolsa de estudos em uma boa escola. Seu maior sonho era ser médica e ter sua própria casa, enquanto ela não podia realizar suas vontades, ela trabalhava em uma padaria do bairro. 
Joana trabalhava de faxineira em uma escola de elite, uma amiga dela falou que tinha uma escola muito boa dando bolsas de estudos para alunos pobres e que ela poderia falar para a filha tentar a bolsa. Joana queria ver a filha estudando e tendo um futuro que ela não pôde ter, chegou em casa e contou a novidade para a filha.
- Raquel tenho uma novidade maravilhosa pra você! Você não vai acreditar no que a Alzira me disse.
- Oi mãe! Nossa que empolgação, me fala logo essa novidade.
- A Alzira disse que tem uma escola dando bolsa de estudos integral para pessoas de baixa renda. Essa é sua chance filha. - disse ela abraçando Raquel.
- Eu vou fazer essa prova e vou entrar nessa escola e conseguir fazer minha faculdade de medicina. - disse Raquel determinada.
Se passaram duas semanas e Raquel já tinha feito a prova e estava esperando o resultado. Ela trabalhou na padaria na sexta e foi direto para casa. O cansaço às vezes a desanimava um pouco, mas ela não queria deixar a mãe sustentar a casa sozinha. Ela estava no sofá assistindo TV, quando Joana entrou na sala e falou eufórica:
- Você conseguiu filha! a vaga é sua. Parabéns você é muito inteligente. - disse Joana dando um abraço forte na filha.
- Eu nem acredito mãe! Eu consegui, meu Deus! - disse Raquel chorando.
- Você merece filha! Agora foca nos estudos que vai dar tudo certo.
As duas sorriram uma pra outra e se abraçaram.
Um mês se passou e chegou o primeiro dia de aula de Raquel, ela estava perdida na escola. Se via na cara das pessoas que eram ricas e não estavam gostando de ver ela ali. Raquel era a única negra, em uma escola só de brancos, sentia o olhar reprovador de alguns. Ela estava distraída procurando a sua sala, quando um garoto muito bonito tocou o seu ombro.
- Posso te ajudar? Nunca te vi por aqui. - disse Bruno a encarando.
- Eu estou perdida! Não sei em que sala devo entrar. - disse Raquel tímida.
- Oi eu sou o Bruno e qual seu nome? Me fala de qual terceiro você é, quer dizer você é do terceiro ano imagino.
- Oi Bruno, meu nome é Raquel. Sou do terceiro A.
- Então estamos na mesma sala, vem comigo vou te levar.
Bruno não tinha muito convívio com pessoas negras, as únicas que ele convivia eram as empregadas. Quando viu Raquel sentiu algo diferente, que não sabia explicar. Tentou disfarçar o nervosismo perto dela, aquela garota tinha deixado ele fascinado com sua beleza diferente.
- Pode sentar do meu lado se quiser, eu não mordo não viu. - disse Bruno quebrando o gelo.
- Vou aceitar Bruno, não conheço ninguém aqui e me olham com um olhar estranho. 
- Meus amigos já estão chegando, vou te apresentar eles e você não vai se sentir tão sozinha.
Bruno apresentou Raquel a Elisa e Rafael e eles gostaram muito do jeito dela, logo os quatro estavam conversando e rindo.
Depois que as aulas terminaram, cada aluno foi em busca do seu transporte. Não parava de chegar carros caros para buscar os alunos e Raquel se sentia inferior a aquela gente. Os amigos ofereceram carona mais ela não aceitou. 
Raquel almoçou em casa e foi direto para o trabalho. Ela não conseguia parar de pensar em Bruno, mas sabia que se falasse para sua mãe, ela iria proibir ela de ter amizade com ele. O dia passou rápido e já era hora dela voltar pra casa.
Rafael era um garoto muito tímido, não tinha coragem de chegar nas meninas e por isso os colegas de classe sempre zombavam dele. Ele fazia o tipo nerd e as meninas não curtiam muito esse jeito dele. Ele e Bruno eram bem amigos desde a infância, eles moravam perto e um sempre frequentava a casa do outro. Quando viu Raquel achou que ela deveria estar se sentido diferente, no meio de tanta gente branca e rica. Ele sentia que devia proteger ela, não sabia muito explicar, mas queria ter ela por perto.
Bruno não conseguia para de pensar em Raquel, não parava de lembrar daqueles olhos escuros o olhando. Ele já tinha ficado com algumas meninas do colégio, mas não tinha gostado de verdade de nenhuma. Quando viu Raquel sentiu algo diferente, que não sabia explicar, mas sabia que com ela as coisas seriam bem diferentes do normal. 
Quando Raquel chegou em casa, sua mãe estava terminando o jantar.
- Oi filha! Como foi a primeiro dia de aula? - disse Joana sorrindo para ela.
- Oi mãe! Foi legal, mas lá é tão diferente da minha antiga escola. E como foi no trabalho hoje?
- Foi tranquilo no trabalho filha, você vai se adaptar a nova escola. Tudo no começo é mais difícil.
As duas jantaram juntas e conversaram sobre o que fizeram no dia. Joana contou para Raquel dos romances que estavam surgindo entre os professores e das fofocas que sempre tinha na escola, Raquel contou para a mãe do tamanho da escola e dos colegas que tinha feito. Sua mãe preocupada já perguntou se tinha algum garoto que ela tinha achado bonito.
- Você não pode se envolver com aqueles brancos, eles nunca levam a gente a sério. Eu não quero que você sofra filha, quero que você estude e tenha uma carreira, se for pra namorar namore com um negro como nós.
- Calma mãe! Eles só são meus amigos, não quero ficar com ninguém. Eu sou muito focada pode ficar tranquila, que ninguém vai me tirar do foco. - disse Raquel lembrando do rosto de Bruno.
Depois de conversarem um pouco as duas foram dormir, Raquel estava pensativa, pois quando viu Bruno sentiu algo que não sabia explicar. Demorou um pouco mas ela conseguiu pegar no sono.
No dia seguinte Bruno chegou na sala e ficou incomodado por não ver Raquel.
- Vocês viram a Raquel? - disse Bruno preocupado.
- Eu vi ela entrando na escola, deve ter se atrasado um pouco. - disse Elisa.
Raquel chegou ofegante por ter andado bem rápido para chegar no horário na aula.
- Oi gente perdi o ônibus e o outro demorou tanto. Achei que ia chegar atrasada. - disse Raquel quase sem conseguir falar.
- Que bom que você não se atrasou. - disse Bruno a olhando fixamente.
Raquel ficou um pouco sem graça e sentou no seu lugar. Durante toda aula, ela percebia os olhares de Bruno em sua direção. Elisa já tinha reparado o interesse do amigo em Raquel e resolveu chamar ele para uma conversa. Rafael estava incomodado com a aproximação deles e comentou com Elisa no intervalo.
- O Bruno anda muito colado na Raquel, você viu hoje quando não viu ela na sala. Eu acho que ele está afim dela. - disse ele olhando para os lados vendo se ninguém havia escutado.
- Eu não sei se ele está afim dela, mas que está encantado isso deve estar. Mas eles nunca dariam certo, combinei de conversar com ele depois do colégio. Agora ele está mostrando a biblioteca pra ela, acho que logo mais eles ficam.
- Não acho legal ele ficar tão próximo dela. Você sabe como as pessoas são racistas, a família dele jamais aceitaria isso. Não acho justo ele brincar com os sentimentos dela também.
- Você está bem preocupado pelo jeito, deve estar querendo ela também. - disse Elisa um pouco irritada.
- Eu não sou racista, mas negras não me atraem. - disse Rafael disfarçando.
Raquel e Bruno chegaram e os amigos disfarçaram e começaram a conversar de outro assunto. Os dois nem perceberam que anteriormente eram o assunto da conversa. Finalmente chegou a hora de ir embora e Bruno quis acompanhar Raquel até em casa.
- Posso te acompanhar até em casa? - disse Bruno sorrindo pra ela.
- Não precisa Bruno. Preciso ir bem rápido porque vou trabalhar.
- Eu faço questão de te acompanhar. Vamos de táxi. - disse Bruno firme.
Ele dispensou o motorista pois disse que precisava resolver alguns assuntos.
Os dois entraram no táxi e Raquel passou o endereço para o taxista. Bruno jamais tinha passado por aquele bairro, achou tudo tão diferente. Raquel não morava em um local perigoso, mas não tinha a riqueza da região que Bruno morava. O taxista deixou ela na porta de casa e Bruno pediu que ele aguardasse, porque ele iria voltar. Ele saiu do carro e acompanhou Raquel até o portão de sua casa.
- Está entregue sã e salva. - disse ele brincando.
- Só não te chamo pra entrar porque preciso correr, pra chegar no horário no trabalho. - disse Raquel o encarando.
- Não tem problema, mas eu quero voltar um dia aqui. - disse ele se aproximando dela lentamente.
Raquel deu um passo para trás e agradeceu a carona e entrou em casa. Ele ficou paralisado tentando entender aquela reação dela, após alguns segundos entrou no táxi e foi para casa.
Raquel entrou em casa tensa, ela sentia algo muito forte por Bruno. Mas queria evitar esse sentimento e quando viu ele se aproximando, só pensou em fugir. Sua mãe já tinha alertado ela sobre os caras brancos, ela não queria sofrer.
Fim de semana chegou e com isso a possibilidade de descansar um pouco. Raquel resolveu ir com a mãe na praia, após ter trabalhado na padaria. No sábado ela ia de manhã e trabalhava só até as 13 horas. Mãe e filha eram muito unidas e sempre saiam juntas, quando tinham folga. Joana sempre comprava água de coco na mesma barraca, tinha amizade com Roberto que era o dono. O sol estava bem quente e Raquel foi com um biquíni um pouco pequeno. 
Ela estava sentada na areia distraída, quando sentiu um toque no ombro.
- Que susto Bruno! Veio passear um pouco?. - disse ela se recuperando do susto.
- Vim com uns amigos aqui, estava precisando espairecer um pouco. Vamos dar um mergulho? - disse ele levantando e oferecendo a mão pra ela.
- Vamos! - disse ela se levantando com a ajuda dele.
Os dois correram para o mar, Joana viu a filha com Bruno e ficou preocupada. Ela correu atrás da filha e lhe deu uma bronca.
- O que você está fazendo aí Raquel? É perigoso ir para o fundo. - disse Joana irritada.
- Eu estou cuidando dela. - disse Bruno abraçando a amiga.
- Eu não quero pessoas como você perto da minha filha. - Raquel vem aqui comigo. - disse Joana brava.
Raquel foi com a mãe e pediu desculpas para Bruno, que ficou observando as duas se afastarem.
Raquel ficou brava com a mãe que nem queria falar com ela. Joana sentou com a filha e explicou o motivo de ter brigado com ela.
- Eu não quero você com esses brancos, já te avisei filha.
- Você é mais racista que eles! - disse Raquel nervosa se levantando e indo para o mar.
Joana gritou por Raquel, mas a garota não lhe deu nenhuma atenção e foi mergulhar.

Será que mãe e filha vão continuar brigadas? E Bruno vai se declarar para Raquel?



Continua...








Comentários

  1. não sei porque mais quando leio as falas da fic so imaginam a voz do caio e da érika kkkk saudades do meu bruquel

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